LADOS ESTREITOS
escrito em quinta 18 setembro 2008 21:04
encontro/desencontro´paixÃo/arte
Sombras da história,
Insônia demente,
Pesadelos com gnomos,
Movimentos da terra
Despertam-me do sono.
Abro as janelas e a brisa não vem,
Durmo e acordo nas dobras da língua.
O rádio varre as décadas em vários ritmos,
Sons diacrônicos rompem o meu grito.
Não estou só, nessas paredes existo,
É necessário cantar entre o som dos meus gemidos
Minha alma animal mastigam pensamentos.
Somos tantos, somos quantos em um só momento.
Na espera da canção canta o galo do relógio
E os dragões ácidos queimam meu estômago.
Pedra, pau, vareta, guincho,
Portões de aço, grades e hospício.
Deixo rolar o lirismo das horas
Envolta as correntes que se soltam.
Falo em línguas palavras mortas.
Sou calidoscópio em preto e branco.
Largo os pedaços e saiu porta a fora.
De um lado ouço um riso frouxo
Do outro lado desfaleço, choro, padeço.
Na esquina da rua amoleço,
Nas curvas de mim anoiteço,
Assim, amanheço na porta do outro.
Cortada em retalhos,
Desbotada em mil lados,
Perdida e achada nas rugas do tempo,
Abro-me, leio-me nesse vão reverso.
Acho-me em transe entre braços, mãos, olhos
E no quarto dos minutos me policio,
Sou eu mesma não o outro,
Que alarde o silêncio por entre fios.
Olhos, bocas, ouvidos,ocos, idos.
Tudo numa tela escura,
Num quadro cru, no sul da nua insensatez.
São pontos vagos, marcas de passadas...
Sinais de vôos noturnos.
Largo-me do divã afando
Casa com janelas, portas com trincos
Cabeça ornadas de rosas formosas.
No pingo do meio dia amo amo amo
E volto a dormir como um anjo.
neide
Qui 18 Set 2008 23:30